terça-feira, 30 de setembro de 2008

ETIQUETA SOCIAL


Apresentação

1. Sempre se apresenta o homem à mulher. Todavia, tratando-se de um religioso, a mulher deverá ser apresentada.
2. Apresenta-se uma pessoa mais moça a uma mais idosa, e a solteira à casada.
3. A mulher deverá estender a mão, antes que o faça o homem que lhe foi apresentado. No entanto, se a pessoa apresentada se limitar a um outro cumprimento, deverá ser correspondido do mesmo modo (exemplo: ligeira inclinação de cabeça).
4. A mulher, em sociedade, nunca se levanta ao ser apresentada a outra mulher, com exceção se esta for a anfitriã ou uma senhora de idade.
5. Os anfitriões não necessitam apresentar todos os convidados entre si, no caso de uma recepção de grandes proporções. Basta apresentar alguns à chegada. E num coquetel usa-se a mesma praxe.
6. O convidado de honra, numa recepção de cerimônia, é apresentado a todos os convidados e deverá ficar ao lado da anfitriã, à entrada e de pé.
Casamentos
Os convites - impressos em cartões de formato grande, duplo ou simples, conforme a elegância da cerimônia o exigir - são distribuídos com trinta dias de antecedência, para que os convidados não assumam outros compromissos. Atenção: as frases como "os noivos receberão os cumprimentos na igreja" são inteiramente indelicadas. Se a recepção é só para alguns convidados após a cerimônia na igreja, estes receberão um convite especial que deve ser colocado no envelope.
A cerimônia do casamento tradicional se mantém, com poucas variações, embora com alguns modismos. Permanece, por exemplo, a presença de duas meninas, ou de um menino, ou de um menino e uma menina, que procedem a noiva na entrada da igreja.
Na sacristia, os noivos, ao receberem os cumprimentos, colocam-se entre seus pais e avós. Os convidados devem limitar suas palavras, evitando efusões por demais cansativas. Cumprimentam-se os membros da família quando não conhecidos, com uma ligeira inclinação de cabeça.
Na recepção, os noivos ou seus pais agradecem a cada convidado os presentes ou flores recebidos, Isto não dispensa o casal de manifestar os agradecimentos por escrito, logo ao chegar da viagem de núpcias. A decoração das mesas deve ser requintada, reservando-se um lugar especial para o bolo clássico. Evitar os enfeites de noivinhos, bonequinhos ou pombinhos, de gosto mais do que duvidoso.
Uma inovação: tornou-se costume elegante convidar dois, três ou mais casais de padrinhos de cada noivo. É uma forma simpática de homenagear um maior número de familiares ou amigos.
À mesa
Serviço: pode-se começar a comer após algumas pessoas terem sido servidas, se o serviço for lento.
Guardanapo: colocar no colo, durante a refeição, aberto totalmente ou não, conforme o tamanho. Usá-lo sempre antes de levar o copo ou o cálice à boca. No final, colocá-lo ao lado do prato, sem dobrar mas também sem o amarrotar.
Talheres: os que estão mais longe do prato são os primeiros a usar e, naturalmente, os últimos são os mais próximos do prato. Não se limpam os talheres com o guardanapo, antes de serem usados. Ao parar de usar os talheres, estes devem ser colocados sobre o prato (a faca na borda) e os cabos nunca apoiados na mesa. Acabando de comer, colocam-se sobre o prato, no sentido perpendicular à borda da mesa.
Garfo e faca: no Brasil usa-se mais a regra de usar o garfo sempre na mão esquerda, à maneira européia. Usando-se a faca e o garfo ao mesmo tempo, seguram-se ambos da mesma maneira, isto é, a extremidade dos cabos na palma da mão, apoiando-se o índex pouco aquém da lâmina da faca ou dos dentes do garfo.
Colher: deve encher-se a colher num movimento contrário à direção da borda da mesa, sempre de lado, posição esta em que deverá ser levada à boca. A disposição dos talheres obedece à ordem seguinte:À esquerda do prato de fora para dentro:
1. Garfo para peixe;
2. Garfo para carne;
3. Garfo para salada; se for servida;
À direita do prato de fora para dentro:
1. Garfo para "hors-dóuvre";
2. Colher para sopa;
3. Faca para peixe;
4. Faca para carne (a que fica sempre junto ao prato).
Copos: são colocados na mesa de acordo com o tamanho do copo e não pela ordem em que vão ser utilizados, para que uns não escondam os outros. É correto arrumá-los da maneira seguinte:
1. Copo para água, à direita do prato e acima das facas;
2. Taça de champanhe, a pequena distância do primeiro;
3. Copo para vinho branco, haste longa, colocado em frente e entre os dois primeiros;
4. Copo para Porto ou Xerex, diante do terceiro um pouco à direita.
Esta ordem, no entanto, não é obrigatória, mas deve respeitar-se a harmonia entre tamanho e a precedência das bebidas.
Salada: antes de se servir, reparar se há prato e talheres especiais para a mesma, normalmente colocados ao lado do prato de jantar.
Porções: não é exigido que se coma tudo que se põe no prato, nem obrigatório deixar um resto de comida.
Pão: parte-se com as mãos em pedaços pequenos, passa-se a manteiga e leva-se à boca com a mão.
Sal e pimenta: é correto usar estes ingredientes, mesmo num jantar de cerimônia.
Espinhas, ossos, azeitonas, etc: a mesma colher que levou o alimento à boca deverá devolver os restos ao prato, como no caso de caroços de frutas em calda. Se for usada a mão (azeitonas ou uvas, entre outras) pode a mesma retorná-los ao prato. Espinhas e ossinhos, de modo discreto, voltam na mão para o prato.
Outras regras: todos sabem que não se deve colocar os cotovelos sobre a mesa, mas também não é bom assumir uma posição de estátua. Ao aceitar um prato, nada se diz, mas quando se o declina é de bom tom dizer: não, muito obrigado. Os copos levam-se à boca segurando-se pela base de seu arqueado e nunca pelas bordas. Não é correto elogiar a comida ou a maneira como foi preparada. Também uma conversa não deverá provocar discussões sobre assuntos políticos, religiosos ou de qualquer natureza que possam de algum modo susceptibilizar algum dos presentes e, muito menos, gesticular com o talher quando se fala. Se mastigar com a boca fechada é preciso lembrar, é de bom tom, no entanto, que se coma devagar, mastigando bem os alimentos, até porque é feio mesmo, usar palitos que, aliás, não devem existir em qualquer recipiente sobre a mesa.
Ao levantar da mesa: o prato não deve ser empurrado, depois de arrumados os talheres sobre ele.
Maçã - uma curiosidade sobre esta fruta: por tradição histórica, nas mais refinadas mesas ou ambientes, a maça é motivo de decoração, por aliar suas belas cores ao seu aroma delicioso. E por lembrar o fruto proibido que Eva, seduzida pela serpente, colher da árvore da Saberoria. Mas nem todos sabem que é chamada, também, de fruta-pão. Assim, numa refeição de cerimônia, a maça deverá ser saboreada, pois quem o fizer demonstrará que ficou satisfeito com as iguarias que foram servidas.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

MARKETING PESSOAL

Por: Raide Namuali

A necessidade da gestão de carreira e da implantação de um plano de marketing pessoal está se tornando uma unanimidade. A maioria dos profissionais que temos conversado, sejam professores universitários, executivos ou empresários, concorda com a importância de se ter um plano de marketing pessoal para gerir suas carreiras. No entanto, apesar disto, poucos são aqueles que realmente conseguem transformar esta convicção em uma atitude prática.
Em função da falta de ação de muitos profissionais, resolvemos apresentar uma série de dez razões, todas importantíssimas, para motivar aqueles que ainda não resolveram desenvolver seu plano de marketing pessoal a fazê-lo agora. Já foi dada a largada para a corrida pelas melhores oportunidades de mercado, e quem não se antecipar acabará ficando para trás. Vamos às razões:
Razão 1 - um plano de marketing é como uma “receita de bolo” que pode ser elaborado em poucos dias, e seu conteúdo, na maioria das vezes, é formado por idéias práticas e de fácil aplicação, portanto, comece agora!
Razão 2 – o tempo corre contra você, quanto mais rápido implantar seu plano de marketing, mais rápido serão os resultados para sua carreira. O que está esperando?
Razão 3 – provavelmente você já tem inúmeros concorrentes promovendo suas respectivas carreiras no mercado, e você está ficando para trás. Não espere mais!
Razão 4 – marketing pessoal é um hábito, e você precisará de tempo para se habituar com esta nova maneira de agir em sua vida, portanto, corra!
Razão 5 – marketing pessoal cria novas oportunidades de negócios, e novas oportunidades de negócios, geralmente, significam mais dinheiro. Então aja agora!
Razão 6 – um plano de marketing pessoal pressupõe que você conquistará outros ciclos de amizade, isto certamente dará uma nova perspectiva de prazer e satisfação a sua vida pessoal e profissional. Mexa-se!
Razão 7 – o plano de marketing pessoal traz reconhecimento social pelos anos de esforços, estudos e trabalho. O que está esperando, ande!
Razão 8 – maior status social é o que obterá com o sucesso profissional conseguido através de seu plano de marketing pessoal. Vá em frente!
Razão 9 – a realização de seus sonhos de consumo, de seus sonhos de viagem e de muitos outros sonhos, poderá ser conquistada através do sucesso obtido com o marketing pessoal. Apresse-se!
Razão 10 – a realização profissional traz uma sensação superior de satisfação. É como conquistar o cume do Everest, algo inexplicável. Porque você não tenta iniciar agora o seu desafio pessoal? Mas é preciso dar o primeiro passo. Aja agora!
Esperamos que todas estas boas razões tenham conseguido convencê-lo a tomar uma atitude para iniciar seu plano de gestão de carreira, por isto vamos mostrar o que significa este plano de marketing pessoal.
Um plano de marketing pessoal é algo fácil de ser implantado. Na verdade, trata-se de um conjunto de ações e ferramentas que, se utilizados em conjunto, ajudam a promover a carreira de um profissional.
Na primeira parte de um plano de marketing pessoal é preciso desenvolver as competências pessoais do profissional, aqueles atributos que fazem parte de seu comportamento, e que podem ter um impacto positivo em sua atuação profissional. Qualidades como auto-motivação, liderança, criatividade, bom humor, capacidade de produzir conhecimentos, relacionamento interpessoal e sua capacidade de sonhar são os atributos essenciais que precisam ser desenvolvidos e incorporados a sua carreira profissional.
A outra parte do plano de marketing consiste na aplicação de ferramentas para promoção pessoal. Construção de uma rede de relacionamentos (networking), criação de um site pessoal, utilização de cartões de visitas de uma maneira dinâmica, ter um sistema de relações públicas pessoal, dentre outras ferramentas, certamente ajudarão a promover sua carreira e sua imagem no mercado de trabalho.
Estes conceitos e ações precisam estar “amarrados” em um planejamento coerente, ou seja, ao seu “plano de marketing pessoal e profissional”.
Todos nós precisamos de motivação para realizar alguma tarefa, para enfrentar um desafio e para iniciar alguma empreitada. Implantar um plano de marketing em nossa vida pessoal e profissional é um desafio. Não sabemos ao certo o que iremos encontrar, certamente viveremos momentos de “pura adrenalina”, seremos colocados diante de situações inusitadas, mas tudo isto se justifica pela sensação de vitória e de sucesso que conseguiremos alcançar ao final desta caminhada. Boa sorte.

A GLOBALIZAÇÃO ABRE OPORTUNIDADES

Artigo: Globalização abre oportunidades.
Países não têm amigos nem inimigos - têm interesses. A economia global pode ser boa para todos.
Por Raide Namuali
Zambeziano natural de Namarrói, estudante universitário Faculdade de Administração de empresas da UNICAMPO-PR/ Brasil
A globalização está mudando a cara do mundo como nós o conhecemos -- e mudando para melhor. A economia moderna não está mais circunscrita à fronteiras e limites locais. E cada vez mais empresas estão actuando com essa mentalidade. É comum que empresários busquem os locais com custos de produção mais baixos. Até há pouco tempo, uma empresa instalada em Quelimane se limitava a comparar diferentes regiões da cidade. Outras empresas procuram as melhores áreas de Moçambique para trabalhar. Hoje em dia, no entanto, essa procura é feita em todo o planeta. Para muitos empresários, a resposta na hora de produzir tem sido a China. Já na hora de vender a produção, é possível que a aposta seja os Estados Unidos. Um aspecto importante da globalização, portanto, diz respeito à abrangência do olhar. Há outro ângulo importante, que se refere ao comportamento interno das empresas. Uma dada corporação é global se seus executivos forem recrutados mundo afora. Se todos pertencem ao país da própria companhia, então ela não é global, ainda que venda em todos os países do mundo. Assim como as empresas podem ser mais ou menos globalizadas, o mesmo vale para os países. Se você perguntar que país foi o mais beneficiado com a globalização nos últimos dez anos, a resposta será a China. Há apenas uma década, a China tinha uma renda per capita das mais baixas do mundo, ao redor de 400 dólares. Esse número está subindo rapidamente. No extremo oposto, temos dezenas de países que têm sido completamente ignorados pela globalização. Ela simplesmente não existe na África Central: lá não há investimentos, não há turismo, não se manufatura produtos, não há comércio. E isso é um problema sério, pois a globalização tem se mostrado essencial para a criação de riqueza. Um paradoxo do mundo de hoje é entender a razão de tamanha contrariedade à globalização. Se ela é tão boa, por que tanta reclamação? Um motivo é que sempre haverá algum aspecto da globalização que cada pessoa individualmente condena. Quem é de esquerda diz que ela causa desigualdade, o que é verdade -- basta pensar na distância crescente entre África e China. Já as pessoas da direita criticam a globalização por estimular as migrações, o que também é verdade. Com a telecomunicação global, pessoas que vivem em vilarejos pobres do Terceiro Mundo podem entrar em contacto com outras que vivem em países ricos, lugares para onde elas gostariam de ir. Os religiosos dizem que a globalização causa a secularização, o que, em alguma medida, é igualmente verdade. Outros a detestam quando deparam com o nascimento de uma cultura global. Alguns confundem isso com invasão da cultura americana, mas é um erro. Considere o exemplo da MTV. À exceção dos países de língua inglesa, a maior par te das músicas é cantada em outros idiomas. A MTV está totalmente integrada à nova cultura global. O mesmo vale para a premiação do Oscar, em Hollywood. Há dois anos, somente um dos prêmios mais importantes foi dado a alguém que nasceu nos Estados Unidos. Na verdade, o que há é o nascimento de uma rede ligando diferentes pessoas e diferentes cidades ao redor do mundo. Um escritor moçambicano ganha premio da melhor literatura de língua portuguesa no Rio de Janeiro simbolicamente representa Moçambique, mas globalmente representa a língua portuguesa no mundo pelo facto de englobar Europa, América e áfrica, já identifica a globalização. E isso cria alguns fenômenos curiosos. É possível que os habitantes da cidade de Nampula tenham mais traços em comum com quem mora na Índia do que com as pessoas da área rural do nordeste da Zambézia. O inverso provavelmente é verdade: os indianos entendem melhor os Nampulanses do que as pessoas que habitam em pequenos vilarejos no interior da Zambézia, em termos culturais, de atividades, de estilo de vida. Esse fenômeno global assusta muita gente. Isso ocorre também nos Estados Unidos. Temos muitos grupos, religiosos ou não, totalmente contrários à globalização.
Para quem não tem medo de jogar o jogo, a pergunta é saber o que fazer. Para os países, o fundamental é atrair investimentos externos. Trata-se de uma briga cada vez mais dura. Atualmente, cerca de 100 bilhões de dólares são investidos no Terceiro Mundo. Dessa quantia, 60 bilhões vão para a China. O mais importante não é a transferência de dinheiro. Afinal, China e Hong Kong têm o equivalente a 660 bilhões de dólares em divisas estrangeiras. A última coisa de que os chineses necessitam é dinheiro. Mas esses 60 bilhões representam acesso a tecnologias, mercados e conhecimento de administração e gestão. Os chineses recebem aula sobre novas tecnologias cada vez que alguém monta uma fábrica, ensina as pessoas como administrá-la e transfere novas técnicas. Na hora de brigar pelo investimento, acredito ser vital para os países ter um slogan para vender. A Irlanda tornou-se bem-sucedida na Europa, pois tinha um slogan claro: "Venha à Irlanda, você não pagará nenhum imposto de renda de pessoa jurídica". O slogan da China é: "Nós somos o lugar mais barato para fazer qualquer produto". Mas a maioria das nações desconhece o seu próprio slogan. Não acredito que Moçambique tenha um bom slogan.
O problema Muitos países relutam em aceitar a globalização e correm o risco de ser vítimas dela e ficar para trás
Visão do autor
A economia global não tem mais fronteiras. Isso vale para as empresas e para os países. É um fenômeno novo que ainda assusta muita gente. Mas não tem mais volta. A questão não é ser contra ou a favor da globalização, mas sim como tirar proveito dela. Países como Irlanda e China se movimentaram rápido e agora colhem os frutos. Souberam se diferenciar dos competidores na hora de atrair os investimentos estrangeiros. O resultado de terem conseguido atrair capital foi o enriquecimento e o aumento da qualidade de vida das populações.
Alerta para Moçambique
O mundo está cada vez mais complexo.Alianças do passado, que eram baseadas na bipolaridade da Guerra Fria, não fazem mais sentido. Os países não podem mais ser vistos apenas como amigos ou inimigos, mas têm interesses às vezes coincidentes, às vezes opostos. Os alinhamentos com diferentes nações vão depender de cada tema. Moçambique pode aliar-se à China numa questão comercial contra os Estados Unidos. Mas pode aliar-se aos americanos para enfrentarem os chineses em questões ambientais, por exemplo.Outra coisa importante é saber reorientar a maneira de encarar o mundo. A verdade é que ele está cada vez mais complicado. Por exemplo, às vezes vemos Moçambique aliar-se à China contra os Estados Unidos numa determinada relação comercial. Já em questões ambientais ou de direitos humanos, pode-se dar o inverso: Moçambique alia-se aos Estados Unidos contra a China. Se você retroceder ao período da Guerra Fria, por exemplo, a situação era simples. Ou os países eram comunistas ou não eram. Essa linha divisória não existe mais. O exemplo das cotas para os produtos têxteis é muito interessante. Há 15 anos, os países do Terceiro Mundo fizeram um lobby em prol da abolição das cotas. Agora, esse mesmo grupo pede o restabelecimento das restrições. Ninguém imaginava que o fim das cotas significaria que metade das fábricas do mundo teria de fechar e se mudar para a China -- um país do Terceiro Mundo. A lição que fica é que a postura a ser adotada depende de cada situação. Afinal, países não têm inimigos nem amigos, mas interesses nacionais. Além disso, sempre vale lembrar que as nações não duram para sempre. Elas surgem e desaparecem o tempo todo. Há pouquíssimas com história realmente longa, como China, França e Inglaterra. Os Estados Unidos existem há somente 200 anos. E as fronteiras se modificam o tempo todo, a União Soviética dividiu-se em 15 países, a Iugoslávia em seis. Eu poderia apostar que, daqui a 50 anos, todas as fronteiras da África terão sido modificadas. Em outros continentes, como a América do Sul, é possível que as mudanças de fronteiras sejam bem menores, mas mesmo assim haverá grandes deslocamentos de população.Atualmente estma-se em cerca de 8 bilhões da população mundial, deste numero 800 milhões vivem no continente africano. Na minha opinião os paises africanos deviam aproveitar agora para reorganizar as suas políticas socioeconômicas antes da abertura total das fronteiras, hoje as necessidades das nações africanas são outras a maior preocupação é de fornecer a matéria-prima aos paises desenvolvidos e os chamados bric`s “emergentes” Brasil, Rússia, Índia e China os em via de desenvolvimento não se preocupam com a tecnologia muito menos conhecimentos torna acto normal nomear para cargo que exige amplos conhecimentos um leigo, mas, essa fragilidade poderá deixar muitos paises a margem. Não estou dizendo que os países vão se desfazer, mas que estão adquirindo uma forma completamente diferente à medida que as fronteiras em muitas partes do mundo se alteram e as pessoas se deslocam.

As mudanças estão só começando.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

INTRODUÇÃO MACROECONOMIA

Introdução

A macroeconomia estuda o comportamento agregado da economia e, por isso, seu foco recai sobre a análise das conseqüências globais de ações individuais dos agentes econômicos em sua interação com o mercado. Embora se fundamente na microeconomia e que, por isso, deva mostrar consistência entre o desempenho macro e o comportamento micro, nem sempre a macroeconomia é uma mera soma dos resultados individuais. A forma como é feita esta agregação é um dos pontos mais controvertidos dentro da macroeconomia.
Nas análises macroeconômicas, os economistas procuram compreender e projetar as tendências gerais da economia. Para isso é fundamental dispor de dados agregados precisos e estabelecer corretamente as relações entre as variáveis macro. Assim, a compreensão adequada das contas nacionais representa o ponto de partida da moderna análise macroeconômica. Boa parte dos modelos macroeconômicos são construídos a partir destes dados e através de uma correta definição das relações funcionais e do comportamento dos agentes[1].
Atualmente, compreender as interações existentes entre as variáveis e as políticas econômicas supõe que se integrem três aspectos fundamentais do mundo contemporâneo. Primeiro, a determinação das variáveis econômicas é cada vez mais feita pelo mercado, tendo, o Estado, um papel cada vez mais reduzido. Neste quadro, duas grandes correntes de pensamento constituem uma referência para a análise econômica: a liberal e a keynesiana (vem surgindo outra, chamada de “a terceira via”). As principais controvérsias destas correntes referem-se à natureza do equilíbrio econômico, o papel da moeda na economia e do tipo de intervenção do Estado.
Segundo, a economia é cada vez mais financeira e as mudanças ocorridas nestes mercados se transmitem sobre os demais mercados. Terceiro, com a desregulamentação do mercado de capitais e com o avanço das novas tecnologias da informação, o mercado financeiro tornou-se um fenômeno mundial e está criando fortes interdependências entre os países. Isto coloca em evidência os sistemas econômicos vulneráveis, forçando-os à uma adaptação.
Neste contexto, algumas questões essenciais devem ser analisadas: a) quais são as fontes de crescimento das economias modernas? b) qual é a influência da esfera financeira nas economias contemporâneas? c) qual a explicação para o crescimento e a persistência de altas taxas de desemprego na maioria dos países?
Este curso não pretende dar respostas definitivas a estas questões mas suscitar o interesse, provocar o debate e proporcionar aos alunos uma capacidade de análise das questões macroeconômica atuais. Para isso, estudaremos os mecanismos econômicos para saber: observar de forma crítica a realidade; fazer hipóteses quanto aos comportamentos dos agentes; seguir e explicar os encadeamentos de efeitos devido a uma mudança na economia; e interpretar o significado destes efeitos para as principais variáveis econômicas.
Capítulo I - Conceitos, medidas e relações econômicas: contabilidade nacional
1 - Introdução

Para bem observar e analisar os fenômenos econômicos deve-se: a) saber o significado dos termos e das variáveis utilizadas; b) definir com precisão seus valores; e c) estabelecer relações funcionais e causais coerentes entre elas. A contabilidade social preenche os dois primeiros requisitos. O terceiro decorre da teoria, da experiência, dos modelos e da capacidade de quem analisa.
A contabilidade nacional retrata todas as operações efetuadas pelos agentes econômicos em um determinado período de tempo (um ano). Diante da complexidade do mundo real, ela se propõe a fazer agrupamentos de agentes e de operações permitindo o estabelecimento de uma visão sintética e coerente. As contas nacionais, elaboradas pelo IBGE, são publicadas anualmente e estão disponíveis na Internet.
Para estudar apenas o essencial, definiremos, primeiramente, os diferentes tipos de relações econômicas, o que nos permitirá, a seguir, precisar o modo como são registradas as operações e, por fim, apreciar alguns elementos da situação atual da economia brasileira.
2 - Relações econômicas
2.1 - Os agentes econômicos
Em uma economia aberta, normalmente são distinguidos quatro categorias de agentes: a) as empresas, as quais produzem, investem e contratam fatores de produção; b) as famílias, que são proprietárias dos fatores de produção e consomem bens e serviços; e c) o governo, que adquire bens e serviços, faz transferências, arrecada impostos e gerencia a política econômica; e d) o resto do mundo ou exterior, que compra e vende bens e serviços para o Brasil, efetua e recebe transferências, etc.
2.2 - O fluxo circular da renda na economia
A representação da realidade econômica dada pela contabilidade nacional é a de um círculo. A igualdade contábil entre recursos e usos na economia é vista como um fluxo circular. Este fluxo circular pode ser esquematizado da seguinte forma:
Estágio 1: as empresas fabricam a produção (Q) e distribuem a renda aos fatores de produção (Y).
Estágio 2: o setor público cobra impostos sobre a renda (td) e efetua transferências às famílias (tr). A diferença entre a renda total, subtraída pelos impostos e acrescida pelas transferências, é renda disponível (Yd=Y-td+tr) das famílias.
Estágio 3: as famílias vão destinar parte de sua Yd para consumo (C) e a restante é poupada (S), ou seja, depositada em instituições financeiras, as quais vão financiar parte do investimento (I). Neste estágio o dispêndio global é C+I.
Estágio 4: o setor público utiliza as receitas fiscais para efetuar os seus gastos (G). Neste estágio o dispêndio global é C+I+G.
Estágio 5: uma parte da despesa concerne a produtos importados e, com isso, uma parte da renda sai do país para pagar as importações (-M). Por outro lado, uma certa quantia de renda entra no país devido à venda de produtos domésticos para compradores externos (+E).
[1] A existência de relações funcionais entre variáveis econômicas possibilita que os economistas recorram à construção de modelos econômicos. Trata-se de representações formais de fenômenos através de um sistema coerente de relações matemáticas, descrevendo de forma esquemática as ligações que existem entre as variáveis econômicas. Muitos economistas criticam o uso de modelos para fazer projeções futuras porque isto pressupõe a existência de relações constantes entre os fenômenos econômicos. O problema, dizem eles, é que os seres humanos fazem experiências, possuem memória e aprendem com a história e, em função disso, eles podem alterar seus comportamentos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

EM DEFESA AO COMERCIO LIVRE NA REGIÃO

Artigo: Em defesa ao Comercio Livre na Região
Por: Raide Namuali
Faculdade de Administração de Empresas
Unicampo-PR Brasil

Comercio Livre, Negócios de Sucesso, Economia de Moçambique.

O comercio livre pode ser bom para Moçambique pela localização geográfica na região da áfrica Austral SADC devido a costa do oceano Indico. Moçambique pode ser o destino mais preferido de novos entrantes para a região. Isso poderá impulsionar a economia do país, hoje o salário mínimo nacional gira em torno de USD 60,00 dólares norte-americano isso poderá mudar nos próximos 10 anos. Os ordenados poderão ser regionalizados em demandas.

Assinado na África do Sul, entre 16 a 17 de Agosto de 2008, o acordo que libera a livre circulação de pessoas e bens em toda região da SADC onde Moçambique exerce as funções regionais de Transporte, Comunicação e Cultura, fora de Angola que ainda não associou a idéia, a ansiedade do povo moçambicano e agentes econômicos aumenta a cada dia, muita incerteza. Mas, isso é normal o que não é normal é não se enquadrar no jogo para esse desafio. Todo mundo gostaria de vender seus produtos, por exemplo, na Tanzânia.
Grupos de pessoas se questionam quem será o beneficiário do comercio livre? A resposta é simples e curta! Todos.

O receio de muitos é o gigante da região África do Sul que atualmente é responsável de 25% do PIB continental, mas isto pode despertar a atenção de outros paises de modo a investirem em tecnologia de ponta e educação de qualidade.

O que o nosso país tem de melhor? Dois factores de produção estão garantidos “a terra (natureza) e a força de trabalho” não temos recursos minerais do tamanho da África do Sul, mas, podemos investir em capital intelectual e oferecer serviços para toda região.

Investimentos em infra-estruturas portuárias é indispensável. Os portos moçambicanos poderão movimentar nos próximos tempos 20% da economia na região.

A prestação de serviços básicos como a de hospedagem, restaurantes e depósitos públicos de mercadorias nos pontos comerciais. Esses são negócios de sucesso para a região centro e norte de Moçambique.

O nosso país pode ser o mais preferido como melhor destino turístico da região, mas isso tem custos para conquistar e manter a liderança no raking da SADC é necessário que as necessidades primarias sejam garantidas 24 horas, sobretudo nos corretores da beira, Nacala porto e terminais como Quelimane entre outros.

A economia do país precisa crescer não só o PIB numérico, ou seja, funcional, mas também na qualidade de vida dos moçambicanos “PIB efectivo”. Cada Província, Cidade precisa ter o seu slogan para efetuar o seu Marketing apresentar o seu potencial para atrair investimentos para o local em beneficio das populações, gerando auto-emprego e desenvolvimento da zona.
Como pode acontecer? Fácil não é, mas também impossível não. O governo pode ser importante como de sempre garantindo a segurança, descentralização e leis flexíveis.

Aos agentes econômicos em geral, empresas privadas e publicas precisam entender que o tempo já mudou não adianta transferir experiências do século XX para XXI, é preciso aproveitar os erros do passado para melhorar o presente. As empresas moçambicanas ou representantes estrangeiras precisam colocar em frente dos seus destinos profissionais da área “administradores” para conduzir as mesmas de acordo com o escopo e o plano socioeconômico do país. A maneira, mais sensata para obter vantagens no comercio livre, é colocar cada coisa no seu lugar. Quanto mais empresas especializadas melhor para o país.

As instituições financeiras devem flexibilizar a concessão de créditos com taxas de juro baixo visando possibilitar a realização de projectos. Por outro lado o governo também deve fazer o mesmo oferecer crédito orientado e a longo prazo com taxas de juro baixo , dando a possibilidade de criação de mais postos de trabalho e conseqüentemente a arrecadação de mais impostos visando reduzir a dependência externa.


Negócios de Sucesso

Tive oportunidade de conhecer o Paraguai um país latino-americano, sentado num banco na varanda de uma lojinha esperando táxi, apareceu um senhor aparentemente de seus 40 anos de idade, curiosamente perguntei o que o senhor faz? Ele disse filho meu trabalho é receber e guardar as mercadorias dos camelos “comerciantes ambulantes” no seu deposito publico “armazém” e disse facturava R$ 10.000,00 o equivalente USD 5.464,00 ao mês.

Fui para Nampula em 2004 em visita de trabalho ao jornal WAMPHALAFAX, hospedei num hotel no centro da cidade, na hora de almoço fui nas bancas tomar uma coca-cola ao lado do mercado central. Lá encontrei muita gente almoçando, sentei na salinha da barraca de um nigeriano observei que ali o prato de comida era mais barato e a qualidade da comida era a semelhante a oferecida no hotel. Perguntei o dono da banca que estava ao meu lado, quanto você factura por mês? Ele disse por dia no mínimo 15.000,00MT fiz as contas para 30 dias vi que vale apenas investir nesse ramo de negócio.

No hotel onde tinha hospedado a diária para quarto com cama de solteiro era 200,00MT e com cama de casal 350,00MT. Em conversa com o gerente perguntei quantos hospedes recebiam por mês? Disse a media 350 ao mês e tempo mínimo de estadia de 2 dias.

No Milange distrito fronteiriço com o Malawi na Zambézia encontrei homens que ganham dinheiro alugando dependências mais conhecidas de resthouse. Do outro lado no Malawi encontrei mesma cena.

Conclui que esses serviços são estratégicos pós todos viajantes ou pessoas que chegam pela primeira vez num lugar precisam desses serviços para efectuarem seus projectos.

AS COISAS VÃO MUDAR

terça-feira, 23 de setembro de 2008

COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL

Por : Raide

Parte Introdutória - O TRABALHO

Fala-se em trabalho a todo o momento e por toda parte. Só essa constatação já demonstra a importância dela para a nossa sociedade. Seria interessante, porém, ir em busca da origem dessa atividade chamada trabalho e compreender a razão de seu prestígio.
Emprega-se o termo “trabalho” para designar, por exemplo, a atividade das plantas, das abelhas, das máquinas, dos atletas, do pintor, do aluno etc., como se tudo na vida se resumisse a trabalho.
É através dessa multiplicidade de prismas sobre o tema que abordaremos o assunto, mostrando como ele foi exaltado ou desprezado por diferentes classes sociais em diferentes épocas e nações. Atualmente, a exaltação do trabalho tornou-se tão forte que, para muitos, o ócio e até mesmo o lazer, quando praticados, vêm acompanhado de sentimento de culpa.

Retrospecto histórico

Entretanto nem sempre foi assim. Há 2.500 anos, os gregos, ao adotar a máxima de Aristóteles “pensar requer ócio”, apresentavam uma postura bastante diversa do que conhecemos e praticamos atualmente. Para sustentar a elite grega, que se desobrigava do trabalho, havia os escravos, e como essa situação provocava vergonha, os gregos criaram sutis argumentos que justificavam a necessidade da escravatura. Refletindo melhor, o trabalho passou a ter valor econômico a partir da escravidão (sec. VIII a.C.).Atenas possuía 240 mil habitantes dos quais 140 mil eram escravos. Aristóteles considerava que, sendo impossível a vida sem o necessário para sobrevivência, a humanidade não poderia abrir mão dos escravos, ou seja, a escravidão era considerada como lei natural para o desencargo da elite grega:

“O escravo era desprezível, mas não por trabalhar, mas porque, em um dado momento de sua existência, tinha preferido a servidão ao risco de morrer pela liberdade”

Para os gregos, como observou Nietzsche, tanto o trabalho quanto a escravidão eram “uma desgraça necessária”. O escritor grego Xenofontes, discípulo de Sócrates, dizia que a rudeza de alguns trabalhos manuais causava danos físicos aos seus operadores, provocando muitas vezes uma fraqueza ao corpo que conduzia à fraqueza da mente. A noção de trabalho, para os gregos, está diretamente vinculada à rotina da utilização das mãos com utensílios rudimentares, sem técnica e criatividade.

Aversão ao trabalho
Heródoto já atribuía a outros povos como os egípcios e os persas igual repulsa pelo trabalho.
“Uma atividade menor, visto ter como fim apenas suprir as carências físicas”.

O escravo tem o status, não de homem, mas de coisa.

A visão filosófica - época da contemplação e do "ócio"
Platão, na sociedade idealizada da República, reconheceu que a divisão do trabalho traz maiores benefícios á sociedade e propicia um harmonioso intercâmbio de serviços. Para ele, sendo os homens diferentes por natureza, cabe a cada um estar no lugar em que melhor expresse sua habilidade. Dessa forma fica justificado o papel, reservado ao escravo, de realizar tarefas necessárias à manutenção da cidade, deixando aos cidadãos as prerrogativas políticas.
Aristóteles apregoava que, nos Estados mais bem governados, a nenhum cidadão poderia ser permitido o exercício de atividades ligadas às artes manuais, pois isso o impediria de dedicar mais tempo à sua obrigação para com o Estado. O exercício da cidadania, por demandar grande parcela de tempo, exigia que o cidadão estivesse liberado de todas as outras atividades.
Com Platão e, de resto, em toda a filosofia grega, a contemplação é a principal fonte de contato com a verdade. Significa a cessão de toda atividade política ou de trabalho. A palavra grega skole, que também quer dizer “escola”, corresponde, em latim, a otium (ócio), o que é o, “estar livre da necessidade de estar ocupado”, e é diferente de “lazer” ou “tempo livre”, como entendemos o ócio hoje em dia, pois ele acentua a idéia de um certo período de ausência de atividade compulsória em razão de determinada causa. E também que, o otium está condicionado à isenção de preocupações e cuidados. Estar ocupado é estar em estado de não-ócio, é negar o ócio. Daí o termo “negócio” (nec-otium), difundido mais tarde na Idade Média. Para o pensamento grego, a beleza e a verdade do universo só advêm com a quietude requerida pela contemplação, que possibilita a interrogação filosófica, característica da faculdade humana.
Hesíodo (poeta do séc. VIII a C.) é atribuído o pioneirismo do termo trabalho, lançou-se em defesa da atividade laboriosa, tratando-o com honra e dignidade. Para ele, o trabalho é o único meio de fazer reinar a ordem e salvaguardar a justiça. Convém lembrar que essa exaltação do trabalho e a condenação da indolência sempre ocorreram nos períodos de escassez de trabalhadores e de elevação de preço do trabalho.
Entretanto, o ócio, no sentido de algo a ser alcançado como fim em si mesmo e como necessário para o exercício espiritual, sofre modificações na sociedade romana. Nela, o trabalho vai sendo introduzido e exigido como condição indispensável pra o gozo do ócio. Em Roma, os filósofos estóicos (séc. III e II a .C.), conhecidos pela austeridade e rigidez de seus princípios morais, ponderavam que o desfrute do tempo livre deveria ser efetivado com seriedade – otium cum dignitate. Sêneca apontava indivíduos com intensa ocupação que buscavam otium não mais como um fim em si mesmo, mas como contraposição ao nec-otium. Nota-se qie já não se tratava de sentir-se livre do trabalho, como os gregos, mas de um “repouso” necessário para a recuperação das energias antes da volta ao trabalho; portanto, de contemplação, para os gregos, o termo se metamorfoseia em descanso (diversão, repouso) para os romanos. Esse novo ideal permanece e chega até a Idade Média.


Na Idade Média

Assentada predominantemente na economia agrícola, o trabalho servil era realizado em pequenas comunidades. Como única fonte de subsistência e riqueza a posse da terra era condição de poder daí a servidão (os trabalhadores precisavam de licença do senhor para sair dela)
Nas cidade predomina nessa época as corporações de ofício ( aprendiz, companheiro e mestre )era quem dava licença para trabalhar nas cidades.

Visão Religiosa do trabalho

Catolicismo deu pouca importância ao que estava contido nos escritos bíblicos acerca do trabalho. Quando o fez enfatizou a virtude da humildade e desaprovou a conduta dos poderosos. A interpretação do texto sagrado serviu, aos católicos, para criticar o apego demasiado ao trabalho e, conseqüentemente, o esquecimento da veneração a Deus. Isso torna-se mais evidente quando se estima que havia 141 dias santos na época.
O Sermão da Montanha faz uma alusão direta ao tema:

“Olhai os lírios dos campos, não trabalham nem fiam...”
Os cristãos medievais, longe de maldizer a situação de penúria em que muitos viviam, podiam se consolar com o que Jesus Cristo havia dito das aves:

“Vede as aves do céu, não semeiam nem colhem, nem guardam as provisões e, contudo, o Vosso Pai Celeste alimenta-as. Não vos aflijais dizendo: que termos que comer ou beber, que teremos para vestir? São os pagãos que buscam isso com diligências”

Se havia uma exaltação ao trabalho, isso ocorria mais no sentido disciplinar, de manter as pessoas ocupadas - o trabalho não era algo nobre como fonte de satisfação já que infindável e tedioso - e sim para manter a mente pura, resignação cristã, o corpo origem de todo pecado deve manter-se ocupado, afastar-se da preguiça e das tentações diabólicas (Provérbio popular – “Mãos vadias, coração louco” ). Por fim considerava a riqueza e pobreza como dons de Deus ( tolerava a injustiça presente para remetendo para o futuro, o reino divino)
Como se vê, não há veneração do trabalho em nome de uma maior produtividade; ele é um meio de salvação, uma oportunidade, oferecida pela “graça” divina, de redenção pela penitência.

A classe ociosa
Nas sociedades aristocráticas, preocupadas em destacar os títulos nobiliárquicos (rei, duque, visconde, marquês, barão), o desprezo pelo trabalho não fica restrito apenas à atividade manual, ampliando-se até mesmo para os ofícios mais qualificados. O trabalho era considerado como indigno para o homem de qualidade, cujas atividades eram dedicadas ao pensamento, à direção dos negócios políticos e religiosos, à gestão de bens e as transações financeiras. Essas atividades não eram, então consideradas trabalho. Ou seja a classe ociosa (nobres e religiosos por exemplo) ocupava-se com a guerra, a política, os esportes, a cultura e o sacerdócio, destacando-se, portanto, da “classe inferior” por não realizar as formas mais vulgares de trabalho manual.
É interessante lembrar que para conservar a admiração alheia e a respeitabilidade, a classe ociosa além de ser, teria de parecer rica e poderosa aos olhos dos outros. Havia a necessidade de isentar-se do trabalho ignóbil, de se exaltar o consumo do supérfluo e de se ter costumes requintados, a fim de impressionar os outros.

Lentas mudanças - renascimento

A obrigatoriedade do trabalho árduo começou nos mosteiros ( São Francisco de Assis - a desocupação inimiga da alma)

A Ética Protestante ( o princípio do capitalismo)

Com a reforma protestante ocorrida no séc. XVI pouco a pouco os ensinamentos religiosos começavam a dar novo sentido ao sofrimento oriundo do trabalho, transformando-o em conformismo, em motivo de orgulho. Houve uma certa reavaliação da concepção cristã, ao se legitimar o princípio da obtenção do lucro e a acumulação de capital.
Há uma ênfase de que a fé deve ser reforçada pelo trabalho (trabalhe que Deus te ajuda). Essa conduta, que culminaria no enriquecimento, não sofreria a condenação de Deus, pois a riqueza não é condenável quando do adquirido só se tira o necessário para a subsistência pessoal e o restante é poupado ou reinvestido.
Essa ética, que muito influenciou na mentalidade dos colonos norte-americanos, pode ser exemplificada nos trechos de discursos de Benjamin Franklin (1706-1790), sujeito de origem humilde que fez fortuna e tornou-se mais tarde Presidente dos EUA:

q "Tempo é dinheiro" (não se deve desperdiçar o tempo, pois ele é uma dádiva divina);
q "Aquele que vai vadiar perde duplamente" (além de deixar de ganhar dinheiro ainda gasta);
q Terá crédito aquele trabalhador que faz ecoar o som do seu martelo às cinco horas da manhã, ou as oito da noite (toda hora desperdiçada é prejudicial).
Conformar-se em ser pobre era reprovável, pois equivaleria a querer ser indolente, um desafio a glória de Deus. O estudo de Weber apela para a filosofia ideal do homem ativo e poupador, ou seja, da auto-realização, para quem a riqueza e o sucesso é um dever até mesmo social, que contribui, indiretamente, para a ordem da sociedade e o vigor moral da nação.
Com a antiga ordem social posta abaixo, não será mais a nobreza quem ditará os rumos dos acontecimentos, mas os burgueses dotados de capital.

O advento da Revolução industrial - “mais abelhas que arquitetos”

A expansão comercial e financeira propiciou o surgimento do capitalismo, cuja culminância se deu no século XVII. O desenvolvimento industrial provocou mudanças sem precedentes na história: o feudalismo foi enterrado, a burguesia emergiu impondo-se como classe dominante, migração do campo para as cidades, a mão-de-obra do artesão se desqualifica, a era do maquinismo arranca mulheres e crianças do lar e leva-as ao ambiente fabril.

Começando pelas crianças.
Para por em funcionamento a crescente atividade produtiva, a exploração da mão-de-obra não ficará restrita apenas aos adultos. Além do trabalho de homens e mulheres, recorria-se sistematicamente à exploração do trabalho do menor. O trabalho da criança era mais apreciado porque supunha maior docilidade e obediência, em virtude de sua fragilidade. Além disso, era mais barato: bastava um insignificante salário ou, muitas vezes, alojamento e uma ração em pão. MONTOUX afirma que as crianças eram freqüentemente chicoteadas e punidas para fazer seus duros trabalhos e manter-se acordadas. Para seus idealizadores os argumentos que sustentavam o uso de mão-de-obra infantil não faltavam: “trabalhar desde cedo forja o hábito, a disciplina e a subordinação” (MANTOUX, s.d.)

As dificuldades de mão-de-obra
O desenvolvimento do capitalismo só foi possível quando houve mão-de-obra disponível em grande escala. Enquanto os camponeses e artesãos podiam dosar o ritmo de suas atividades, a vida não tinha pressa, porém a sorte dos trabalhadores nas primeiras fábricas estava delineada: trabalho ininterrupto durante 14/15 horas por dia, disciplina severa, serviços repetitivos, frio, calor e barulho. Esse contexto fez com que os novos capitalistas se tornassem “filantropos” e se dedicassem à recuperação dos desvalidos, oferecendo ou impondo a eles trabalhos nas oficinas em troca de comida. No início lançou-se mão do crescente exercito de camponeses e artesãos arruinados, oriundos da destruição da sociedade pré-capitalista medieval, entretanto, a mão-de-obra não estava preparada para a nova ordem econômica emergente.
Dotar a sociedade de um novo ideal era uma questão que exigiria longo tempo; assim, enquanto fosse possível usar a terra ou fazer artesanato, ninguém queria trabalhar para outrem, submetendo-se a um salário irrisório e a todo tipo de opressão. A solução, então, foi impor leis que forçassem as pessoas livres a trabalhar, utilizando-se o sutil argumento que eram vadias.
Os "improdutivos causam mal estar" a Inglaterra. Na Inglaterra, o operário que abandonasse a fábrica arriscava-se a ser preso. A classe emergente, ao condenar a indolência, construiu uma nova moral, impondo penalidades severas a mendigos e vagabundos. Criaram-se as workhouses, também apelidadas de “bastilhas dos pobres”, internato utilizado como regulador de mão-de-obra barata, servia também como ocultamento da miséria, evitando, assim, os inconvenientes sociais e políticos de deixa-la à mostra. Nesse primeiro impulso do mundo industrial acreditava-se que a prática do trabalho compulsório servia como panacéia atenuadora das inquietações sociais. Em meados do século XIX, ao se dar conta do fracasso das casas de correção, os industriais são obrigados a mudar de objetivos. Segundo FOUCAULT, essas casas, que 150 anos antes destinavam-se a alojar indolentes e imprestáveis para o convívio social, passaram a abrigar prioritariamente os loucos. Podemos constatar, então, que as primeiras tentativas de segregação, iniciada no século XVII nas penitenciárias e orfanatos, marcam o surgimento de uma sociedade disciplinar onde os pobres e os libertinos são obstáculos à ordem. Um exemplo ocorre na França, onde o operário passa a ter uma carteira de trabalho, ficando, assim, submetido ao controle da polícia.

O exemplo não vem de cima
Se havia ociosidade na classe dominante, ela era também condenável, mas o malefício maior recaía sobre os pobres. Estes não deveriam invejar os ricos, pois o repouso após estafante dia de trabalho é mais bem-aproveitado que qualquer indolência. Isso reflete a persistência da classe ociosa, que alega gastar todo seu tempo e energia nos “cansativos deveres sociais” de cumprimento da etiqueta, como visitas, preocupação com o vestuário, idas a clubes, ações de caridade, práticas de esportes, etc. Esse segmento social sobreviverá até a sociedade moderna, com valores diferentes, destoando da ética da exaltação do trabalho. O novo sistema econômico, por razões históricas, além de se pautar por um sinal produtivista de acumulação de riqueza (não existente no regime feudal), percebeu que era de seu interesse difundir a ideologia do trabalho, a fim de motivar ou coagir a classe subalterna à produção de riquezas.
Para a classe dominante e o clero, a formação educacional do povo estava descartada, pois levaria os jovens à insolência perante seus superiores e permitiria que tivessem acesso a “folhetos sediciosos, livros perigosos e publicações contra a cristandade”, assim como os faria querer igualar-se em direitos à classe superior. Alguns membros da igreja aconselhavam as elites sociais a praticar uma conduta exemplar para que os pobres pudessem “confiar nelas como guias”

A divisão do trabalho – o advento do Taylorismo
O surgimento nos Estados Unidos, de uma nova concepção de trabalho, notadamente no início do século XX, é marcado pelo pioneirismo dos estudos efetuados por Frederich W. Taylor (1856-1915), cuja corrente de pensamento passou a ser designada taylorismo. Engenheiro de formação puritana, de princípios rígidos, foi educado dentro de uma mentalidade de disciplina e veneração ao trabalho. Ele funda o princípio do “método científico” visando a racionalização da produção, a fim de possibilitar o aumento da produtividade no trabalho, evitando o desperdício de tempo, economizando mão-de-obra, suprimindo gestos desnecessários e comportamentos indesejados no interior do processo produtivo. Em sua observação criteriosa, Taylor concretizou a noção fé “tempo útil”. A nossa sociedade do trabalho introjetou essa preocupação com a obsessão pelo relógio – manifestação concreta do tempo transformando em mercadoria.
Taylor parte da crença que o homem é compelido ao trabalho não porque goste, mas por ser ele um recurso à sobrevivência, e, assim, suas únicas motivações são as recompensas econômicas e materiais. O trabalho é visto somente como um exercício de sobrevivência, não como um ato existencial.
A preocupação maior de Taylor é a desordem com que é feito o trabalho quando deixado inteiramente nas mãos dos operários. Nesse sentido, a aplicação de suas idéias visa a acentuar de vez a separação entre o trabalho intelectual (planejamento, concepção e direção) e o trabalho manual (execução) no interior do processo produtivo. Dentro dessa lógica, cada tarefa é decomposta em movimentos elementares e ritmados, em consonância com a cadência das máquinas (isso é ciência) . O uso do cronômetro tem por fim eliminar o “tempo morto”, ou os “movimentos desnecessários”. Cada operário realiza sua tarefa individualmente, com atividades distintas daquelas do operário vizinho, e elimina-se o trabalho em grupo, gerador de corporativismo, discussões e pressões, responsáveis pela queda de produção.
Ao reduzir-se a complexidade do saber operário, introduz-se o desinteresse pela atividade, a monotonia, o tédio e, em conseqüência, a idiotização do trabalhador. Antes os ofícios qualificados eram passados, na prática e oralmente, do operário para o aprendiz, o que requeria destreza, tempo e habilidade. Retirando-lhe o saber, retira-lhe o poder de força na luta pela conquista de melhores condições de trabalho.
Pagos não para pensar
O Taylorismo tem um poderoso lado perverso: com a simplificação das tarefas, em questão de dias ou de horas um novo operário não-qualificado pode substituir outro – e por que não com um salário mais baixo ? Com a apropriação do saber operário, ele cria a sujeição do trabalhador aos ditames da organização, já não competindo àquele discutir o mérito das ordens por este emitidas. Na verdade, sua “ciência” redunda em uma das grandes ferramentas corporativas do mundo moderno, dissimulada pela eficácia da produção, tornando o trabalhador uma massa bruta destituída de capacidade crítica e de satisfação, não por realizar atividades criativas. Suas tarefas são as de puxar alavancas, apertar botões, supervisionar painéis, vigiar o funcionamento de equipamentos, ou alimentar máquinas com matérias-primas.Taylor acreditava que o aumento da produtividade do trabalho iria beneficiar financeiramente não só o patrão como também o trabalhador. Na prática, porém, isso não ocorreu.

O Fordismo - ( 1863 - 1947) A linha de montagem, criada por Ford, na fabricação em massa de automóveis, e ao ditar a cadência do trabalho, a linha de montagem permite um grau de padronização da mão-de-obra através da esteira, fixando o operário em seu posto e, fazendo com que as peças e os componentes venham até ele, para que "nenhum homem precise dar um passo" ( dizia Ford em 1909) essa obsessão pela produtividade foi retratada em uma sátira no filme tempos modernos, de Charles Chaplin.
Atualmente acredita-se que, com a revolução microeletrônica, a simplificação das tarefas chegará a tal ponto que qualquer braço mecânico de robô poderá substituir parte do trabalho humano. Parafraseando o filósofo Michel Foucault, isso mais uma utopia patronal em vias de se realizar: a fábrica sem operários, suprimindo assim todos os conflitos que deles advém.

A total dedicação ao trabalho

As fábricas-prisões, fábricas-conventos, internatos, campos de trabalho, fábricas sem salários etc, como esse tipo de prática não poderia prosperar numa economia de livre mercado, os patrões tiveram de lançar mão de outros mecanismos. Deveriam, então, construir uma nova ideologia, que submetesse a massa proletária ao gosto pelo trabalho. Para essa modernização o trabalho livre provava ser mais rentável e eficiente, pois exigia menos inversão de capital na vigilância e gerenciamento.
O enaltecimento do trabalho se expande e extrapola as obras de eminentes pensadores e religiosos que, com suas idéias, prestavam um serviço à classe dominante. Longe de ser um filósofo, Napoleão, por exemplo, dizia ter chegado a uma conclusão definitiva: “quanto mais trabalhar o meu povo, menos vícios haverá; estarei disposto a ordenar que aos domingos, após os ofícios religiosos, se abram as oficinas e os operários voltem ao trabalho”.
Mesmo o árduo trabalho assalariado converteu-se em virtude, não era mais uma maldição ou motivo de desprezo, contrariamente ao que fora proclamado pelos nossos remotos ancestrais gregos e medievais.

A (Com) sagração do capital – surge o liberalismo

“Antes de sua expulsão do paraíso, Adão e Eva desfrutavam, sem trabalhar, um nível de vida elevado. Depois de sua expulsão, tiveram de viver miseravelmente, trabalhando de manhã até a noite. A história do progresso técnico dos dois últimos séculos é a de um esforço tenaz para voltar a encontrar o caminho do Paraíso”( Wassily Leontief, Prêmio Nobel de Economia.)

A ideologia liberal ou liberalismo, ao se pautar por um conjunto de idéias contrárias à intervenção do Estado na economia, e sendo favorável à livre concorrência do mercado e à exaltação dos direitos individuais, exprimia, ao nível das idéias, o que era levado na prática pela burguesia emergente (industriais e capitalistas).
Em face da penúria que se encontrava a população, o liberalismo foi forçado a se impor e a produzir argumentos cada vez mais consistentes, entre eles, exaltou a “liberdade” que o cidadão tinha para vender sua força de trabalho. Nasce o culto e a total dedicação ao trabalho e a obsessão pelo relógio.

“Tem-se vergonha do repouso; a meditação mais demorada causa remorso. Reflete-se com o relógio na mão, da mesma forma como se almoça com os olhos fixos no pregão da Bolsa” ( Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência)

No estudo do economista como Adam Smith (1723-1790), o trabalho passa a ocupar o primeiro plano na conquista da riqueza. Ele constata que a riqueza dos paises não reside no ouro, na prata ou na agricultura, como era a tendência do pensamento do século XVIII (mercantilismo), mas no trabalho, capaz de transformar matéria bruta em produtos com valor de mercado.

Surge a critica
Um dos grandes pensadores do tema, cuja influência se estendeu a toda parte do mundo, foi Karl Marx, ele ficou fascinado pela produtividade sem precedente na sociedade ocidental, porém dedicou suas críticas à condição degradante em que se encontravam os trabalhadores. Ele concordava que só o trabalha gera riquezas, mas, justamente quem a produz a ela não tem direito.
Para Paul LAFARGUE, em sua obra, O direito à preguiça, critica a divinização do trabalho, o autor invoca as “terríveis conseqüências do trabalho” na sociedade capitalista. Ele estranha a “esquisita mania”, presente nos comerciantes, economistas e moralistas e até mesmo na classe trabalhadora, do “amor pelo trabalho”. Segundo o autor, trata-se de um estranho vício, uma aberração mental que levava ao esgotamento do indivíduo. Excetuando-se os que trabalham para a sobrevivência, há aqueles que gostam do trabalho como um fim em si mesmo :

“uns curvados sobre suas terras, os outros agarrados a suas lojas, movem-se como toupeiras em galerias subterrâneas, e nunca se levantam para observar, ao acaso, a natureza”.

Herdeiro dessa tradição produtivista, o nosso tempo, considerado o “século do trabalho”, nos faz dedicar a essa atividade toda a nossa existência.

O escravo feliz

“Não se pode contratar apenas um braço: uma pessoa inteira vem junto com ele” (Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna).

A administração científica desenvolvida por Taylor teve seus méritos reconhecidos devido ao pioneirismo na atenção dispensada às técnicas e aos fatores fisiológicos do trabalho. Sofreu, porém, duras criticas por ter deixado de lado os aspectos psicológicos do ser humano. Como resposta patronal, o estudo das relações humanas veio atenuar os descontentamentos gerados pelo trabalho alienante, o baixo desempenho, a “fadiga” emocional, e visou também a reduzir a rotatividade da mão-de-obra. Os patrões perceberam que, enquanto os sindicatos influenciavam os trabalhadores fora das fábricas, eles, patrões, tinham um vasto campo de monobra no interior da empresa para tentar converte-los aos interesses da administração.
O psicólogo Elton Mayo (1880 – 1949) foi o pioneiro no estudo das relações no trabalho, com experiências realizadas em 1923, em uma tecelagem, 1927 e 1932 em uma fábrica de componentes eletrônicos em Chicago (bairro de Hawthorne) nos Estados Unidos, onde o nível de descontentamento e a rotatividade no trabalho eral altos. Após exaustivas experiências Mayo constatou que as normas sociais exercem, também, uma força poderosa sobre o indivíduo. Fazendo algumas concessões aos funcionários, mostrou que as pessoas, quando motivadas e tratadas com atenção, agem positivamente e passam a realizar com afinco suas tarefas.
As ciências humanas entram em cena como dispositivos que devem “integrar” o trabalho e a estrutura da organização às necessidades sociais do empregados. Desse modo, ao tornar o empregado “feliz”, a organização obteria dele total cooperação e esforço, o que aumentaria sua eficiência. A empresa, fazendo crer que seus interesses são coincidentes com os dos empregados, gera nestes o sentimento de participar dos objetivos da companhia, a qual, por sua vez, deve merecer seus esforços, contribuindo, assim, para seu sucesso econômico.
Por outro lado, os críticos afirmam que criar o “escravo feliz” ou, como diz o operário americano, “tirar mais leite”, formando “vacas felizes”, é visto como um disfarce para tornar o trabalho menos alienante e mais palatável.

Os ventos do Oriente
Comparados a outros paises, a obsessão pelo trabalho e a lealdade à empresa desenvolvidas pelos japoneses não encontra equivalentes no mundo. O nosso modelo de administração (que é americano) vem concentrando sua atenção a alguns detalhes do comportamento dos japoneses. O orgulho de pertencer à empresa ( “eu sou Toyota” ou “sou um individuo Sumitomo”, em vez de dizer “eu trabalho na firma tal” ), o baixo índice de absenteísmo, além do fato de que a grande maioria dos trabalhadores gozar de reduzidas férias. Em algumas empresas a dedicação ao trabalho pode ser constatada pelo cumprimento de um cerimonial diário: a execução, no início do trabalho, do hino da empresa; o exercício da ginástica laboral, e o pronunciamento de palavras motivadoras (palavras de ordem) para elevar o espírito corporativo entre outros. Os resultados econômicos demonstram que esse apego ao trabalho trouxe um progresso sem precedentes ( o Japão é a 2a. maior economia mundial).
Outro grande fascínio que nos vem do Oriente é a prosperidade obtida pelos chamados “tigres asiáticos”: Taiwan, Coréia do Sul, Hong Kong, Malásia, Singapura. São paises conhecidos pelos seus regimes políticos autoritários, pela carência de recursos naturais e por suas economias voltadas à exportação de quinquilharias eletrônicas. Nesses paises a jornada de trabalho excede quarenta e oito horas semanais e os trabalhadores não têm mais que quatorze dias de férias. Em alguns não há nem direito a férias nos primeiros anos de trabalho. Com folgas semanais não coincidindo para todos no domingo (como é o caso da Coréia do Sul), o país não para de trabalhar nem mesmo nos fins de semana.
Hoje, com medo de perder competitividade com os orientais, os empresários ocidentais estão lançando apelos ao operariado para uma maior participação no trabalho.No Brasil não é diferente, nos últimos 10 anos, tivemos uma verdadeira “revolução” nas práticas administrativas ao promover a redução dos níveis hierárquicos, aproximando o topo da base, investindo em qualificação e desenvolvendo competências, buscando uma gestão conjunta com os seus colaboradores, permitindo que estes opinem e decidam acerca de diversos temas inerentes ao trabalho. Entretanto, é importante analisar alguns aspectos Tupiniquins para compreender o desenvolvimento do país.

TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

Por: Raide

A Administração, de acordo com definição do Houaiss, é o “conjunto de normas e funções cujo objetivo é disciplinar os elementos de produção e submeter a produtividade a um controle de qualidade, para a obtenção de um resultado eficaz”.
Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios, projetos, arbitragens e laudos, em que é exigida a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de Administração.
A profissão de Administrador é relativamente nova e foi regulamentada no Brasil em 9 de setembro de 1965, data em que se comemora o Dia do Administrador.
Os primeiros administradores profissionais (administrador contratado, que não é o dono do negócio) foram os que geriram as companhias de navegação inglesas a partir do século XVII.
Segundo Jonh W. Riegel, “O êxito do desenvolvimento de executivos em uma empresa é resultado, em grande parte, da atuação e da capacidade dos seus gerentes no seu papel de educadores.Cada superior assume este papel quando ele procura orientar e facilitar os esforços dos seus subordinados para se desenvolverem”.
Funções administrativas
Fayol foi o primeiro a definir as funções básicas do Administrador: planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar - POCCC. Atualmente, sobretudo com as contribuições da Abordagem Neoclássica da Administração, em que um dos maiores nomes é o famoso Peter Drucker, os princípios foram retrabalhados e são conhecidos como Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar - PODC. Ressalte-se, então, que destas funções as que sofreram grande evolução foram “comandar e coordenar” que hoje chamamos de Dirigir (Liderança).
Atualmente, as principais funções administrativas são:
Fixar objetivos (planejar)
Analisar: conhecer os problemas.
Solucionar problemas
Organizar e alocar recursos (recursos financeiros e tecnológicos e as pessoas).
Comunicar, dirigir e motivar as pessoas (liderar)
Negociar
Tomar as decisões.
Mensurar e avaliar (controlar
Princípios de um bom Administrador
Saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas;
Saber decidir e solucionar problemas;
Saber lidar com pessoas: comunicar eficientemente, negociar, conduzir mudanças, obter cooperação e solucionar conflitos.
Ter uma visão sistêmica e global da estrutura da empresa;
Ser proativo, ousado e criativo;
Ser um bom líder;
Gerir com responsabilidade e profissionalismo.
Taylorismo ou Administração científica é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro estadunidense Frederick Winslow Taylor (1856-1915), que é considerado o pai da administração científica.
Primeiros estudos essenciais desenvolvidos por Taylor
Em relação ao desenvolvimento de pessoal e seus resultados objetivamente: acreditava que, oferecendo instruções sistemáticas e adequadas aos trabalhadores, ou seja, treinando-os, haveria possibilidade de fazê-los produzir mais e com melhor qualidade..
Em relação ao planejamento a atuação dos processos: achava que todo e qualquer trabalho necessita, preliminarmente, de um estudo para que seja determinada uma metodologia própria, visando sempre o seu máximo desenvolvimento.
Em relação a produtividade e à participação dos recursos humanos: estabelecia a co-participação entre o capital e o trabalho, cujo resultado refletirá em menores custos, salários mais elevados e, principalmente, em aumentos de níveis de produtividade. Em relação ao autocontrole das atividades desenvolvidas e às normas procedimentais: introduziu o controle com o objetivo de que o trabalho seja executado de acordo com uma seqüência e um tempo pré-programados, de modo a não haver desperdício operacional. Inseriu, também, a supervisão funcional, estabelecendo que todas as fases de um trabalho devem ser acompanhadas de modo a verificar se as operações estão sendo desenvolvidas em conformidades com as instruções programadas. Finalmente, apontou que estas instruções programadas devem, sistematicamente, ser transmitidas a todos os empregados.